(continuação)
Nada de perguntas…
(parte III)
Por: Scott Noia
(…)
Antes de me virar para ver quem se dirigia a nós, ouço uma voz de um homem a cumprimentar o Pedro.
- Senhor Pedro Castro, receava já não haver uma oportunidade de conversarmos.
- Senhor Engº. Barbosa, como está? Pensava que só viria amanhã. – articulou nervosamente.
- Por motivos de força maior, terei que viajar amanhã para o Brasil, se quiser apresentar a tal proposta terá que ser agora, se chegarmos a acordo depois poderá tratar dos pormenores com o meu staff.
Este devia ser um dos potenciais clientes de quem ele andava atrás. Ele tinha mencionado qualquer coisa acerca disso durante o almoço. Eu não queria acreditar que a besta do velho fosse insistir em tratar de trabalho à uma e tal da manhã. Virando-se para mim, apresentou-me, dizendo que eu era uma velha conhecida, que estava ali também para o congresso. Não tive a certeza que o velho tivesse ficado convencido, pois ao despedir-me deles, ainda o ouvi sarcasticamente a perguntar ao Pedro, pela sua encantadora esposa, e pelos filhos.
Depois de recolher o cartão-chave na recepção, olhei disfarçadamente e vi-os dirigirem-se para o bar do hotel. Enquanto o homem falava, ele num breve arquear de sobrancelhas, deu-me a entender que não poderia fazer nada. Eu entendi.
No elevador, respirei fundo… parecia que agora, longe dele a sua influência sobre mim ia esmorecendo, e pensando agora mais friamente no que estivera prestes a acontecer, tudo não parecia mais do que uma grande loucura… contudo, não podia ignorar um certo sentimento de frustração. Algo em mim mudara definitivamente.
Cheguei ao quarto, despi-me e tomei um duche… enfiei-me num negligé, e deitei-me… não conseguia deixar de pensar no que se tinha passado naquele dia, tinha sido o ponto de viragem da minha vida… peguei no telefone e liguei ao meu marido, como calculei ele ainda não estava a dormir, sem pormenores disse-lhe que estava tudo bem e que ia dormir. Quase a desligar, ainda lhe disse:
- Sobre o que nós temos falado… eu pensei nisso. E acho que finalmente entendi o que nunca tinha conseguido entender. Tu tens razão… vamos fazer o que tu tanto queres.
- A sério? Eu amo-te tanto… – Ele estava radiante.
- A sério… e eu também te amo, depois falamos sobre isto, agora dorme. – Disse-lhe, desligando a chamada.
Tinha a certeza de que algures no Porto, havia pelo menos um homem felicíssimo. Sabia que mais cedo ou mais tarde ia ser pai. E eu encarregar-me-ia de tratar disso.
Desliguei a luz e fiquei a olhar para a lua, enorme que me espreitava pela janela do quarto. De repente, dei por mim a imaginar como aquele luar era tão mal empregue em não estar a iluminar corpos a fundir-se um no outro. E que esses corpos não só poderiam, como deveriam ser o meu e o do Pedro. Estava outra vez a arder, e o foco principal do incêndio ansiava por ser tocado, deslizando as minhas mãos pelo meu corpo, comecei a acariciar-me, senti-me completamente molhada de desejo, e com os dedos, comecei a masturbar-me, com uma mão a deslizar na parte de dentro das minhas coxas, imaginando ali o toque das ancas dele, e com a outra mão a acariciar-me o clítoris, vim-me como não me lembrava de alguma vez me ter vindo, bastou-me imaginar que ele estava ali, a possuir-me toda. A fazer-me um filho. Estava toda a tremer.
O orgasmo tinha-me deixado completamente nas nuvens, e fechando os olhos deixei-me adormecer, enquanto na minha mente iam desfilando imagens de corpos nus, transpirados, ofegantes, a ultima coisa de que me lembro foi de me ter sentido adormecer com um longo suspiro.
Sem saber ao certo o que me tinha feito despertar do turbilhão que estava a ser o meu sonho, acordei. Estava tudo silencioso, o som da rua, mesmo com a janela do quarto completamente aberta, não chegava ao vigésimo segundo andar. Pelo menos àquela hora da noite, em que as ruas deviam estar desertas. Esticando a mão peguei no telemóvel para ver as horas, duas e quarenta e cinco. Já prestes a esquecer o assunto, ouvi leves pancadas na porta.
Fora isso que me despertara. Intrigada, levantei-me e dirigi-me à porta. Provavelmente fruto do magnetismo que dele sentira durante todo o dia, mesmo antes de abrir, pressenti que era o Pedro.
E foi sem palavras que ele transpôs a porta. Ao mesmo tempo que a fechava com um pé, puxou-me para ele, beijando-me, levantou-me e foi ao colo dele, com as minhas pernas à volta das suas ancas que me levou para a cama. Sentou-me na beira, e começou a desapertar a camisa. Eu levantei-me e fi-lo parar. Queria ser eu a despi-lo. Desapertei-lhe a camisa até baixo. De seguida, despertei-lhe o cinto e soltei um suspiro quando senti o volume que lhe deformava as calças quando as desapertei, deixando-as cair aos seus pés. Passando-lhe as mãos pela barriga, sentindo o resultado que anos de ginásio provocam, deslizei-as pelo seu peito, largo e afastei-lhe a camisa, passando-a pelos seus ombros e depois continuando a descê-la pelos seus braços, dando um último puxão, fiz voar os seus botões de punho pelo chão do quarto. Com um rápido movimento descalçou-se ficou ali à minha frente, de boxers. A lua, que entrava pelo quarto a rodos, iluminava-o. O volume que sentira, duplicara, deixando-me adivinhar o quanto ele estava louco de desejo.
Não consegui esperar mais. Voltando a sentar-me na beira da cama, com as duas mãos fiz deslizar por ele abaixo a ultima barreira que me separava daquela masculinidade. Ofegante e sentindo o coração a galopar-me no peito, engoli em seco vendo a força que emanava daquele fabuloso instrumento de culto, ali a centímetros de mim, obscenamente apontado à minha cara. Peguei-lhe, e ele, com o meu toque, pulsou nas minhas mãos, respirando fundo, gemeu de prazer quando eu lhe beijei a glande, descomunal. Queria demonstrar-lhe toda a minha submissão, com esforço tudo o que consegui foi que entrasse parcialmente na minha boca, de seguida, comecei a beijá-lo todo, lá desde a base, até novamente à ponta. Ao fazê-lo, esfregava-o na minha cara. Durante todo este tempo, nunca desviámos os olhos um do outro.
Então, pegando-lhe nas mãos, puxei-o enquanto me ia reclinando até que fiquei deitada de costas, bem no centro da cama. Ele veio por cima de mim, envolvendo-me com os seus braços, deixando-me sentir o seu peso, começou a beijar-me na boca. Eu queria mais, delirando de desejo, ele foi-me beijando o pescoço, descendo pelo meu corpo, sugando-me os mamilos, primeiro delicadamente, e depois mordendo-me com força. Descendo mais, beijou-me a barriga cada vez mais para baixo, até que senti os meus pêlos na sua cara. Sentia-me a derreter. Sentia-me escorrer de desejo, e ele não desperdiçava um pouco que fosse do que eu lhe estava a dar. Ao mesmo tempo que me devorava com a boca, fazendo-me quase desmaiar de prazer, ia-me explorando com os seus dedos. E que dedos! Tocando-me em sítios que nem eu própria imaginava ter, levou-me a uma espécie de limbo, em que, sem o mínimo controlo sobre o meu corpo, nada mais podia fazer senão gemer e gritar de prazer, enquanto ia sentindo num atrás do outro, uma onda interminável de múltiplos orgasmos.
Nunca na vida sentira nada parecido. Mas queria mais. Queria tudo. Queria senti-lo dentro de mim. Ele, parecendo adivinhar, volta a pôr-se sobre mim. Ao mesmo tempo que colocava a sua boca junto da minha, respirando o meu ar, colocou o seu enorme pénis à entrada da minha vagina. Minha não, dele. Assim como toda eu, era dele. E começou a forçar a entrada. A dor que provocou ao esticar os meus lábios depressa se transformou no mais puro e animal prazer. E veio empurrando, num lento vai e vem, de cada vez que saía, entrava um pouco mais. E eu ia-me ajeitando, abrindo-me ao máximo, empenhando-me para acomodar tudo aquilo dentro de mim. E então, adivinhando um novo orgasmo, puxei-o ainda mais. Queria-o todo. Todo o seu peso. Toda aquela peça de carne pulsante distendendo-me as paredes interiores vagina, preenchendo-me completamente. Tendo a noção de que todas as minhas barreiras estavam agora derrubadas, pego-lhe na cabeça, procurando forma de encostar a minha boca ao seu ouvido. No meio da respiração ofegante e completamente descontrolada, e com a voz já rouca de tanto ter gemido, falei pela primeira vez:
1 comentário:
está perfeito o conto... leva-me a concluir, cada vez com mais clareza, que nada deve ficar reprimido...ou por realizar... mais cedo ou mais tarde ressalta o recalcamento!
Que o destino nos "comanda" já ninguem duvida(ou ja ninguem devia...!) e esta historia retrata-o na perfeição...mas... tudo está bem quando acaba bem!
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